01
Jun
2026
Durante muito tempo, a acne foi vista como uma condição exclusiva da adolescência. Mas basta falar com qualquer clínico que trabalhe atualmente na área da medicina estética para ouvir uma realidade diferente. Cada vez mais pacientes na casa dos 20, 30 e até 40 anos procuram tratamento para lesões persistentes ou acne de início tardio. E, para muitos deles, o impacto emocional é ainda mais significativo do que durante a adolescência. No âmbito do Mês da Consciencialização para a Acne, falámos com especialistas internacionais que tratam acne diariamente. A mensagem foi clara: a acne nos adultos é real, está a aumentar e continua a ser frequentemente mal compreendida.
A acne afeta os adultos?
Sim. Um dos maiores equívocos sobre a acne é a de que desaparece após a puberdade. Segundo a dermatologista Dra. Cathy Dierckxsens: “Muitos adultos sentem-se envergonhados porque acreditam que a acne deveria desaparecer após a puberdade, o que simplesmente não corresponde à realidade.”
O Dr. Pedro Santos observa a mesma situação na prática clínica: “Tratar a acne como um problema da adolescência é precisamente o que leva muitos adultos a permanecerem em silêncio, envergonhados e sem tratamento durante anos.” A acne nos adultos afeta frequentemente o terço inferior da face e apresenta características diferentes da acne adolescente. As lesões tendem a ser mais profundas, mais inflamatórias e mais persistentes.
A Dra. Katharina Herberger também identifica diferenças claras entre as duas formas de apresentação: “A acne juvenil é causada principalmente pelas alterações hormonais e pela ação dos androgénios. O acne adulto é multicausal, envolvendo alterações hormonais, cuidados de pele, stress e outros fatores. Afeta mais frequentemente o queixo e a linha do maxilar e tende a ser uma condição crónica.”
Porque é que cada vez mais adultos desenvolvem acne?
Ao contrário da acne adolescente, frequentemente associada à puberdade e à atividade androgénica, a acne nos adultos resulta geralmente da combinação de vários fatores. Entre eles incluem-se alterações hormonais, stress, fatores relacionados com o estilo de vida, alterações do microbioma cutâneo e disfunção da barreira da pele. Os especialistas entrevistados para o Mês da Consciencialização para a Acne descreveram repetidamente a acne como uma “doença multifatorial”, e não como uma condição com uma única causa.
Alterações hormonais
As hormonas continuam a ser um dos principais fatores associados à acne nos adultos, especialmente nas mulheres. Ao contrário da acne adolescente, as lesões surgem frequentemente na linha do maxilar, queixo e terço inferior da face, podendo agravar-se em associação com o ciclo menstrual, gravidez, alterações de contraceção ou perimenopausa. Isto ajuda a explicar porque muitos pacientes se sentem frustrados com surtos recorrentes. Os pacientes assumem frequentemente que o acne deveria comportar-se como um problema temporário, quando biologicamente pode funcionar mais como uma condição inflamatória crónica.
Stress crónico
Existem cada vez mais evidências de que o stress influencia a pele através de mecanismos hormonais e inflamatórios. Níveis elevados de cortisol podem aumentar a produção de sebo, alterar a função da barreira cutânea e potenciar respostas inflamatórias.
O Dr. Pedro Santos acredita que o stress desempenha hoje um papel particularmente relevante: “O próprio peso psicológico torna-se um fator desencadeante. A vergonha e a frustração associadas à acne nos adultos alimentam os mesmos mecanismos de stress e inflamação que agravam a doença.”
Muitos clínicos relatam atualmente níveis mais elevados de stress crónico, alterações do sono e desequilíbrios no estilo de vida do que observavam há cinco anos.
A influência das redes sociais nos cuidados de pele
Embora as hormonas e o stress continuem a ser fatores importantes, existe outro elemento a considerar: a desinformação. Segundo o Skinsights 2025, 42% dos públicos mais jovens obtêm informação sobre tratamentos e skincare através de influenciadores digitais, mas apenas 18% afirmam confiar neles.
Isto cria um cenário em que os pacientes estão expostos a uma enorme quantidade de informação sem saberem em quem confiar.
O Dr. Pedro Santos observa diariamente as consequências: “As maiores agressões que vejo na clínica não vem da doença em si. Vem da rotina de cuidados com a pele que o paciente construiu a tentar resolvê-la sozinho.”
A Dra. Cathy Dierckxsens também relata um aumento dos casos de comprometimento da barreira cutânea causado por exfoliação excessiva e rotinas complexas promovidas online – o Skinsights 2025 identificou igualmente uma crescente preocupação com o uso excessivo de ingredientes ativos e hábitos de skincare impulsionados pelas redes sociais, particularmente entre os mais jovens.
O estilo de vida influencia a acne?
Qualidade do sono, gestão do stress, exercício físico e alimentação interagem com os mecanismos hormonais e inflamatórios associados ao desenvolvimento da acne.
O Dr. Guy Erlich explica: “Os fatores relacionados com o estilo de vida podem desempenhar um papel relevante na evolução da acne. A alimentação é um dos aspetos mais discutidos. Em particular, o consumo de lacticínios tem sido associado ao agravamento da acne em alguns pacientes.”
Ainda assim, os clínicos reforçam que o estilo de vida deve ser encarado como parte de uma estratégia mais abrangente. Como resume o Dr. Pedro Santos: “O estilo de vida influencia, mas não cura.”
Para muitos pacientes, alterações comportamentais podem ajudar a reduzir a carga inflamatória e melhorar os resultados do tratamento, mas raramente substituem a intervenção médica ou tecnológica.
O impacto emocional da acne não é novidade
Há décadas que a literatura científica associa a acne à diminuição da autoestima, isolamento social e sofrimento psicológico. O que os clínicos observam atualmente é uma mudança de comportamento: cada vez mais pacientes procuram tratamento em vez de esperar que a acne desapareça por si só.
Esta tendência acompanha os resultados do Skinsights 2025, onde 44% dos participantes afirmaram estar mais atentos à saúde da pele do que há um ano e 31% referiram o aumento da confiança como uma das principais motivações para procurar tratamento.
O Dr. Guy Erlich observa frequentemente este impacto: “Muitos pacientes apresentam diminuição da autoconfiança, isolamento social e sofrimento emocional.”
A Dra. Katharina Herberger acrescenta: “A qualidade de vida destes pacientes é significativamente afetada, sofrem durante anos, experimentam inúmeros tratamentos, investem muito dinheiro e acumulam experiências frustrantes em consultas médicas.”
Cada vez mais pessoas reconhecem a acne como uma condição tratável e não como algo com que simplesmente têm de aprender a viver.
Como está a mudar o tratamento da acne nos adultos?
No passado, o tratamento da acne seguia uma sequência simples: controlar as lesões ativas primeiro e tratar as cicatrizes mais tarde. Hoje, os clínicos estão a afastar-se desta abordagem faseada. Os planos terapêuticos atuais combinam frequentemente tratamentos médicos com tecnologias capazes de abordar simultaneamente inflamação, vermelhidão, pigmentação e qualidade da pele.
Esta evolução acompanha as mudanças observadas entre os pacientes. O Skinsights 2025 identificou um interesse crescente por tratamentos não invasivos e resultados naturais, especialmente entre os públicos mais jovens focados na prevenção e na saúde da pele a longo prazo.
Isto significa que os clínicos recorrem hoje a um conjunto mais alargado de ferramentas terapêuticas. Tecnologias baseadas em energia, como o DermaV e o Hollywood Spectra, são utilizadas para ajudar a controlar os componentes inflamatórios e vasculares da acne ativa,enquanto plataformas como o LaseMD Ultra e o Mosaic 3D ajudam a abordar pigmentação residual e cicatrizes superficiais.
O Dr. Pedro Santos acredita que este é o caminho do futuro: “O futuro passa por planos integrados, nos quais a inflamação, a pigmentação, os componentes vasculares e as cicatrizes são abordados no mesmo ato clínico.”
Mais do que eliminar lesões, o objetivo é melhorar a saúde global da pele e reduzir os efeitos a longo prazo que a acne pode deixar.
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